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ALBERTO CARNEIRO

OS CAMINHOS DA ÁGUA E DO CORPO SOBRE A TERRA

2012/04/14 a 2012/06/24
Alberto carneiro 1 980 2500

 

A escultura nasce nesse momento em que o ser e o estar da obra se unificam na matéria: ser de tempo, estar de espaço nas prefigurações da matéria que o gesto transforma. Um corpo habita outro corpo e tudo acontece. Mas, a criação poética não se pode explicar: ela é um enigma, sempre uma vertigem. Sei apenas que o meu corpo é o corpo árvore, o corpo rocha, o corpo rio, o corpo terra transfigurado em obra. Transporto significados e dou-lhes múltiplos sentidos no suceder das metamorfoses. Aquilo que me parece nunca é: toco nas coisas e elas escapam-me no preciso momento em que as nomeio. Sei apenas que estas esculturas têm a ver com o meu corpo, com tudo o que ele sabe do universo, física, mental e subtilmente. (…)

Pegar na montanha, na árvore, moldá-las em matéria arte e inscrever nela os gestos da memória do corpo sobre a terra – todos os caminhos, todas as viagens, todas as mudanças, todos os saberes, todas as inquietações… Se imagino sobre as revelações das matérias da terra, logo me habitam miríades de sensações: as que me antecederam no nascimento, as que vivi desde o primeiro gesto, as que refleti sobre os sentidos da vida e da existência e que tomaram formas de escultura… Evoco memórias de mutações de sucessivas vivências com a matéria, tempos de anamneses transformados agora em tempos de criação, como consciência de identidade da forma/ação do corpo. Um fruto, por exemplo, com o seu cheiro/sabor, com a sua macieza, a sua cor, a sua forma particular, plenitude de sensações e de pensamento sobre elas. Entendê-lo assim e, para além das articulações lógicas, encontrar a árvore já morta dos frutos naturais e transformá-la outra vez nos frutos da sua consubstanciação, como totalidade de sensações temporais do corpo olfativo, gustativo, táctil, visual, auditivo, em todos os movimentos e elevações do corpo subtil.

Alberto Carneiro

(Este texto é composto com fragmentos tirados de
MOMENTOS/FRAGMENTOS/ANALOGIAS reescrito sobre
“Notas para um diário” - fevereiro de 1983/setembro de 1989)

 

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