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FORA DE PORTAS - FUNDATION CALOUSTE GULBENKIAN - DÉLÉGATION EN FRANCE

GRAÇA MORAIS - LA VIOLENCE ET LA GRÂCE

31 Mai '17 a 27 Ago '17
Gm paris 1 980 2500

 

La violence et la grâce (A violência e a graça) é o título da exposição que a delegação francesa da Fundação Calouste Gulbenkian, em Paris, apresenta a partir de 31 de Maio até 27 de Agosto
Com curadoria de Helena de Freitas e Ana Marques Gastão, a exposição vai apresentar principalmente desenhos datados de 1982 a 2016, procurando focar alguns dos principais temas da obra de Graça Morais, como a identidade do lugar onde nasceu – a aldeia do Vieiro, em Trás-os-Montes. Nesta terra longínqua, marcada pelo clima rude e a crueldade da distância, do abandono e da pobreza, Graça Morais encontrou uma iconografia sem igual para expressar a sua representação do mundo, na sua visão de mulher e artista.
O diálogo entre a pintura e a literatura revela-se uma característica marcante da obra da artista, que desde sempre mostrou ter o dom de convocar o território do livro e das palavras para o contexto da produção artística portuguesa, atraindo autores e poetas como Miguel Torga, Nuno Júdice, José Saramago, Vasco Graça Moura, Agustina Bessa-Luís, Maria Velho da Costa, Pedro Tamen, Sophia de Mello Breyner e Manuel António Pina. É nesta articulação com a literatura e outros saberes que “a obra da artista forma um corpo em metamorfose que sublinha a natureza efémera de um ser interior afectado por uma mudança contínua”.
É, aliás, segundo Ana Marques Gastão, “a metamorfose – mais evidente nos desenhos com Sophia e Agustina – que transporta o fio de Ariadne nesta exposição de Graça Morais – a do ser humano em exílio, do artista e do escritor, do criador que, ao realizar o movimento proibido do olhar, transpõe o interdito: o desejo, a paixão, a ilusão, o inferno de Dante”. A dureza e a sensibilidade da vida surgem aqui representadas num “quase paradoxo de complementaridades”, sublinha Guilherme d’Oliveira Martins, administrador da Fundação, traduzindo a “relação íntima e especial” que se estabelece entre a Arte e a Natureza.
Daí se entende também o título da exposição, contrapondo a violência e a graça. “A sua pintura não deve ser entendida como um conto de fadas, mas como um lugar onde a violência natural da condição humana se confronta com a possibilidade de a ela fugir por um milagre a que chamamos ‘graça’, afinal o nome da artista”, afirma o crítico e ensaísta Eduardo Lourenço, em entrevista à curadora Ana Marques Gastão.

Fondation Calouste Gulbenkian - Délégation en France
39, bd de La Tour-Maubourg
75007 Paris